quinta-feira, 26 de março de 2009

Tu aire

Uma das coisas que mais me encanta no mundo virtual é como ele pode (sem maiores problemas ou dores de cabeça) transformar uma coisa óbvia em uma outra completamente maravilhosa.

Afinal, o que tem de novidade em ouvir uma música? Em um desenho? Em desenhar ouvindo música? Nada, eu sei.

Me explica isso então.

nayarac.

terça-feira, 24 de março de 2009

Uma bruxa, uma princesa, uma diva, que beleza!


Este é mais um daqueles post sobre os divos e divas que eu encontro na net. Hoje, a diva em questão é diva mesmo. Ou bruxa. Ou princesa. Escolha o que quiser!!

Ouvi falar de Ana Cañas a primeria vez em um boletim cultural mais que ótimo, o B-coolt (ps: assinem!!). A curiosidade foi enorme e a primeira vista. E ela só aumentou com a chamda do Som Brasil Cazuza onde a moça era uma das intérpretes que participariam.

Dito e feito: foi assistir o programa e virar fã de carteirtinha. Afinal, como não ser? A moça é linda, tem uma voz mais linda ainda e, como se já não fosse bom o suficiente, ainda tem o Chico Buarque como fã e amigo no MySpace (lol).


Então, ouçam. Mas ouçam muito, até os ouvidos doerem.
Ana (olha eu de íntima!) canta com a ânsia de quem quer viver, com a profundidade de um beijo, com a fragilidade de uma beleza passageira. É lindo demais.

Para conhecer mais,
vai aqui .
Para ouvir,
vem aqui.
Para amar, é só começar. =)


nayarac.

quarta-feira, 4 de março de 2009

Para as conversas que, inevitavelmente, temos.

Se eu quiser falar com Deus
Tenho que ficar a sós
Tenho que apagar a luz
Tenho que calar a voz
Tenho que encontrar a paz
Tenho que folgar os nois
Dos sapatos, da gravata
Dos desejos, dos receios
Tenho que esquecer a data
Tenho que perder a conta
Tenho que ter mãos vazias
Ter a alma e o corpo nus...

Se eu quiser falar com Deus
Tenho que aceitar a dor
Tenho que comer o pão
Que o diabo amassou
Tenho que virar um cão
Tenho que lamber o chão
Dos palácios, dos castelos
Suntuosos do meu sonho
Tenho que me ver tristonho
Tenho que me achar medonho
E apesar de um mal tamanho
Alegrar meu coração...

E se eu quiser falar com Deus
Tenho que me aventurar
Eu tenho que subir aos céus
Sem cordas prá segurar
Tenho que dizer adeus
Dar as costas, caminhar
Decidido, pela estrada
Que ao findar vai dar em nada
Nada, nada, nada, nada
Nada, nada, nada, nada
Nada, nada, nada, nada
Do que eu pensava encontrar!

terça-feira, 3 de março de 2009

Para a cunhada e todas as calorias do mundo

Bem, este post começa do fim, ou seja, da justificativa: eu acredito que cozinhar é mágico.

Ok, lavar a louça, tipo barriga na pia não tem nada de charmoso. Mas cozinhar é como um fetiche para mim.
Diante dessa paixão, mas da (quase) incapacidade culinária que nasceu comigo, as vezes eu me aventuro na cozinha e até que consigo resultados comíveis. Diria melhor: beeeeem comíveis.

O fato é que no último sábado (07/03) a minha aventura rendeu algo surpreendente. (ok, alguém jé deve ter feito essa receita, mas não era o meu caso!!) Diante da maravilha alcançada, dedido o primeiro post culinário desse blog a amantíssima cunhada.

Macarrão ao molho de abobrinha

Ingredientes:

macarrão (o tanto da sua fome... eu usei o espaguethi, mas funciona com qualquer um)
1 lata de sardinha (aquela que todo mundo tem)
1 lata de ervilha (pode ser um pouco menos do que uma lata)
1/2 abobrinha ralada (aquela verde, tipo essa)
1 lata de creme de leite
1 colher de farinha de trigo
água
sal, tempero baiano, orégano e outras coisas temperísticas que você gostar.

Modo de preparo:

Coloque o macarrão para cozinhar. Em uma frigideira, coloque um pouco de manteiga e, depois que derreter, a sardinha picadinha. Assim que a sardinha estiver douradinha acrescente a abobrinha ralada (ralo grosso). Vá adicionando água aos poucos, de modo que ela "cozinhe". Adicione os temperos que gostar e a ervilha. Em um copo americano de água coloque a colher de farinha de trigo e dilua bem. Despeje na panela e mexa, incorporando o liquido aos ingredientes. Acerte o sabor e coloque o creme de leite (sim, o molho fica verde).
Deseje sobre o macarrão e bonapeite!!


A hora (não a da estrela).

é....chegou aquela hora que a gente tanto esperou.
Mesmo sem acreditar muito, ela está aqui e não se pode fazer muitas outras opções além daquelas já tão ensaiadas e planejadas.
Mas mesmo assim dá um medo....
aquele medo de mansinho, de vagarinho, que a gente tem de ser tudo um sonho novamente.
De não conseguir, mesmo depois de ter ido tão longe.
O que nos resta então? só dar vários beliscões de realidade nos braços, pernas, rosto para ter (mais uma) certeza de que nem o céu é limite pra nós.
Nem as palavras mais bonitas de sorte e sucesso não precisam ser ditas para você.
Você já tem elas gravadas em seu destino. Então me faça o favor de persegui-las incansavelmente com todo o carisma, talendo e dedicação que você tem.
Abrace a vida nova que estas ganhando. Saiba crescer e melhorar com cada pedacinho de tudo e todos que vão ser parte da sua nova realidade. O passado e o futuro são bons só para sonhar; o que conta mesmo é o presente.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Passado, presente e futuro.

Responda a questão
que aflinge meu coração!
Não se irrite, mas me dê seu palpite:
O que somos afinal: um belo casal?
Namorados, ficantes, ou apenas amantes?

Sim...amantes
não do amor eterno e tal,
mas também não de carnaval.
Do tipo futebol?! melhor ser de por do sol.

Amantes do mesmo crime
ou outro que rime.
Amantes de beijos e carícias
e todas essas delícias.

Amantes da juventude, do agora
amantes de toda hora;
porque o futuro não sei dizer:
só pagando pra ver.

Depois dessa proposta, dê sua resposta!
Mas não me faça sofrer: e aí?! meu amante você quer ser?


Escrito pessoal encontrado em meio a uma infinidades de bagunças, papeis e lembranças. É lindo poder ter um passado para voltar, um presente vivo e um futuro a espera.


nayarac.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Os musos - parte I. Estrelando Luli Radfahrer

Uma das coisas mais legais que a internet oferece é a oportunidade de conhecer (mesmo que de mentirinha) pessoas tão inspiradoras e bacanas como a gente nunca pensou que fosse possível.
Isso acontece muito comigo e acredito que, de alguma forma, acontece com todos também. Só o fato de mudar (mesmo que só um pouquinho) nosso jeito de pensar depois do primeiro www, já vale.

Vou (tentar) escrever uma série de post's falando sobre esses musos e musas que a net cria e mata ao mesmo tempo (não necessariamente nessa ordem); sobre como eles mudam a minha vida e porque eu A-D-O-R-O cada um deles. Bem, é isso!!

O muso de hoje é alguém que eu já conheci no mundo offline (só vi). O cara representa simplemente tudo o que eu quero ser quando crescer. Mais do que admirar, Luli Radfahrer é uma espécie de "guru profissional" para mim. E por que isso? O que ele fala é bom, o que ele linka é pertinente, o que ele escreve é sensacional.

Ler, saber, ouvir Luli Radfahrer é sinônimo de profissionalismo e sucesso. Não tem como negar.


Pode parecer um post bajulador, mas quem conhece o grande homem que ele é sabe que essas palavras ainda são poucas.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Solução?!


Fazendo um paralelo bem estranho com o post sobre as coisas que nos fazem tanta falta pra mudar o mundo, encontrei uma ilustração que, de certa forma, faz sua parte para a grande mudança rolar mais rápido. Será que pega??

Encontrado aqui.

nayarac.

Link do bom: Embalagens super legais

Acredito que pelo menos 80% das pessoas que trabalham ou curtem design AMAM embalagens legais. Diante disso, não pensei duas vezes quando vi esse blog e sua listinha básica de produtos embalados com muito estilo.
Confere aqui!



nayarac.

Persistência

Passadas as nuvens cinzas do meu olhar, descubro assustada uma verdade inconveniente (não o filme) sobre mim.
Sou uma apaixonada por tudo;
pelas pessoas;
pelos animais;
pelas músicas;
pelas dores;
pelos amores;
pelas efemeridades;
pelas particularidades;
pelas amizades.
É por essa paixão que eu derreto, que viajo sem sair do lugar.
Uso as palavras do muso para ir além de tudo o que conheço e viver dessa paixão louca e demasiada.

Mais um daqueles web-desabafos. Só que desta vez mais fofo do que triste.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Não se justifica.

Gostaria de poder dizer que a justificativa ai de cima era aquela que se aplica a textos digitalizados. Pena que não. Este post será um web-desabafo: uma tentativa pequena e sem efeito de vomitar o que me faz tão mal.
Desde que meu cérebro passou a desempenhar funções além daquelas de sobrevivência (quando eu pensei pela primeira vez...) não consigo entender as injustiças. Não mesmo. (OK, esse texto não vai falar sobre a fome da África, que é uma enorme injustiça. Ele é um pouco mais pessoal.)
Quero falar da injustiça que é cometida pela falta de compreensão, pela falta de carinho, de força de vontade em ser melhor. Daquelas injustiças que matam no trânsito, que omitem e esquecem, daquelas que acabam com qualquer coisa que tenhamos de bom.
Daquela que consegue te deixar doente.
...
Não gosto de viver em um mundo assim, com pessoas assim. Então, (ludicamente) levanto todos os dias e penso em como posso ser mais agradável, mais amorosa, mas cuidadosa para mim e para os outros que dividem comigo o ar, a comida, a vida. Mas nem sempre funciona só com a minha boa vontade. Precisa mais...
Precisa mais do que querer para viver bem: precisa se empenhar nessa tarefa (tão ingrata); precisa se analisar o tempo todo; se corrigir. Tem que fazer da vontade, ação!
Não consigo mais viver com todo esse descaso, toda essa insensibilidade, toda essa frustração.



Mesmo que essas palavras não mudem nada em minha volta, sinto-me um pouco menos pesada por tirá-las do meu coração. Por pior que eu seja (e, as vezes sou mesmo ruim) não mereço (como ninguém no mundo) esse desafeto, essa tristeza, essa desilusão.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Parte VI - Considerações Finais

Parte VI - Considerações Finais

O que fica de legado do Correio Braziliense é a riqueza de detalhes oferecida em cada exemplar. Tão abundantes suas descrições que é quase possível vivenciar o momento relatado. Sobre o redator, fica a coragem de publicar um jornal em outro país, com apenas dois funcionários: um responsável pela impressão e outro pelo empacotamento; todo o trabalho autoral era de Hipólito. Fica também a perseverança de publicar por 14 anos consecutivos e ininterruptos, mesmo sem
saber ao certo o número e o tipo de leitores que ele atingia, mantendo mesma qualidade e
fidelidade tanto no visual quanto no informativo, desde o primeiro exemplar.

A fartura de informações que Hipólito deixou para a História e para o Jornalismo é enorme. Não faz diferença se ele foi ou não o primeiro a escrever para e do Brasil. O que contou é a
importância que ele deu ao conceito de jornal – buscar formar opiniões, usar fontes seguras e manter o mesmo zelo por toda sua jornada.



Bibliografia:

1 LUSTOSA, Isabel. O nascimento da Imprensa brasileira. 1. ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editor, 2003

2 SODRE, Nelson Werneck. História da Imprensa no Brasil. 4 ed. Rio de Janeiro: Mauad, 1999.

3 MOREL, M. .Os primeiros passos da palavra impressa. In: Martins, Ana Luiza; Luca, Tania Regina De.. (Org.). História da Imprensa no Brasil. 1 ed. São Paulo: Contexto, 2008, v. 1, p. 23-44.

LUSTOSA, Isabel (Org.) ; DINES, Alberto (Org.) . Hipólito da Costa e o Correio Braziliense. São Paulo - Brasília: Imprensa oficial do Estado de São Paulo - Correio Brazilense, 2003


Gentil orientação de
Ms. Carlos Eduardo Marota Petters

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Parte V - O diálogo com os outros jornais

Parte V - O diálogo com os outros jornais

O primeiro jornal impresso no Brasil foi a Gazeta do Rio de Janeiro, em 10 de Dezembro de 1808. Seus moldes eram os mesmo da sua irmã lusitana: a Gazeta de Lisboa. Surge como folha oficial do reino (e para também amenizar o efeito do Correio no país), trazia decretos e fatos relacionados a Família Real. Continha também um noticiário internacional, só que muito bem filtrado pela censura régia. Em nada sugeria o liberalismo, até 1821 quando apóia abertamente o movimento de independência. Tinha periodicidade curta, intensão informativa e não doutrinária; poucas falas e baixo custo. A Gazeta do Rio de Janeiro era mais parecida com o formato do jornal de hoje, ao passo que o Correio Braziliense assemelhava-se a uma revista mensal.

O Correio, porém, já encontrava-se inserido na leitura de alguns grupos e para combatê-lo, a coroa passa a apoiar a circulação de outros jornais (além da Gazeta), como o Malagueta, O Espelho, o Revérbero Português, entre outros.

Outra tentativa de ameniza o impacto das declarações e acusações que Hipólito fazia em seu jornal, foi a criação em 1811, do periódico “O Investigador Português”, por dois médicos lusitanos que residiam em Londres. O jornal foi totalmente financiado por Dom João, que o fez no intuito de não deixar que a voz absoluta na Europa sobre a situação brasileira fosse o Correio. Afinal, a cidade era o ponto de encontro das idéias e permitir que Hipólito “reinasse sozinho” por lá era prejudicial a sua imagem.

Alguns autores não consideram o Investigador Português e o Correio Braziliense como imprensa brasileira, uma vez que eram produzidos em Londres. Mas segundo Nelson Werneck Sodré um único fato nos obriga a fazê-lo: é o direcionamento de suas falas para o Brasil: o objetivo era atingir a população brasileira.

As proporções que o Correio toma, com o passar dos anos, são cada vez mais incômodas para o governo português e os que estavam envolvidos com ele, tanto que o embaixador português em Londres declara em cartas pessoais o enorme pesar que sentia por não poder punir Hipólito pela sua conduta, uma vez que ele era amigo íntimo do conde de Sussex, filho do rei.

Enquanto isso em Portugal, a insatisfação popular pela ausência do rei era cada vez maior. Quando a corte mudou para o Brasil, deixou o país numa situação difícil – o controle de Napoleão. Só que mesmo após sua derrota, em 1815, a submissão continua, mudando apenas o comando: agora eram as tropas inglesas que governavam. O clima de insatisfação aumenta, juntamente com as idéias de uma revolta. É dentro das sociedades secretas que os movimentos de contestação em Portugal crescem e, é de uma delas constituída de comerciantes, militares e magistrados, que parte a Revolução do Porto. Instituem um parlamento e votam a nova constituição que obriga o retorno do rei; caso contrário, ele perderia a coroa.

Com a vinda da Família Real, o Brasil tinha sido elevado a condição de metrópole e uma das exigências da nova constituição portuguesa era a volta de colônia do país. Hipólito da Costa fica decepcionado com a notícia, pois se o fato acontecesse todas as espectativas dele para o Brasil não poderiam se concretizar. E pela primeira vez em seu discurso, passa defender a independência.

Nelson Werneck Sodré2 faz uma pequena reflexão sobre o repentino apoio da elite brasileira aos jornais: antes a imprensa era temida por ter o poder de inserir elementos que contestassem o antigo regime, muito cômodo ao grupo dominante. Contudo aquelas novas regras ameaçavam demais os recentes laços econômicos. Era preciso faz algo que impedisse esse retorno e era o apoio da população que garantiria o sucesso da empreitada. Por isso se tornou preciso mobilizar a massa e, para tanto, foi necessário despertar a opinião pública, que só seria possível através da imprensa.

É então, a partir de meados de 1821 quando a corte volta a Portugal, que a Gazeta do Rio de Janeiro passa a defender o liberalismo e a modernidade política e a acompanhar de perto o processo de separação entre metrópole e colônia, posicionando-se a favor da independência, antes mesmo do Correio Braziliense. Essa largada na frente ocorre devido a diferença geográfica: o Rio de Janeiro era o cenário do movimento e Londres ficava bem longe dali.

Segundo Marco Morel, colaborador do livro História da Imprensa no Brasil3, o sentimento de Hipólito diante da possível volta a condição de colônia do Brasil era “ Império do Brasil sim, mas na galáxia portuguesa e se possível como o sol e não como mero planeta.” Para Hipólito era preciso seguir em frente e não retroceder.

O jornal que foi fundado em 1° de Junho de 1808 publica sua última edição em Novembro de 1822, após 175 exemplares editados no total. Hipólito morre em 11 de Setembro de 1823, na época como cônsul geral do Brasil em Londres (morreu sem saber da nomeação), de supostamente, infecção intestinal.

Hipólito era fruto de seu tempo e sua formação política foi resultado da influência liberal de então. Admirava a forma com os EUA administravam suas federações (apesar das guerras internas conseguiam manter uma balança comercial favorável) e o modo como o parlamentarismo funcionava na Inglaterra. Mas sua raízes estavam na elite e por conta disso só abandonou a postura monaquista no último minuto do jornal. Quando o apoio a independência acontece, a razão de ser do Correio Braziliense acaba. Ele entende que sua missão educadora para o Brasil já tinha sido concluída: já não era mais época de ensinar e sim de praticar.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Parêntese

“Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é passível de fazer sentido.” - Clarisse Lispector

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Parte IV - O Correio Braziliense e sua presença

Parte IV - O Correio Braziliense e sua presença

O nome era porque naquela época, chamavam-se :
brasileiros – comerciantes que negociavam com o Brasil;
brasilianos – os nativos em geral;
braziliense – portugueses nascidos ou estabelecidos no Brasil e que se sentiam vinculados à terra como se fosse sua verdadeira pátria.

Hipólito demonstrava querer enviar sua mensagem aos leitores do Brasil. Numa época em que o acesso a educação era restrito, a
imprensa se firmava como difusora de novas idéias. O jornalista se confundia com o educador.
O Correio Braziliense tinha o tamanho de um livro pequeno. Tinha uma capa azul escuro, era composto de vários e longos artigos com
informações analíticas e textos que, as vezes, se prolongavam por vários números seguidos. Tinha cerca de 140 páginas e era dividido
nas seções de:

  • Política,
  • Comércio e Arte,
  • Literatura e Ciência,
  • Miscelânea e, eventualmente,
  • Correspondência.

Era na parte da Miscelânea que se incluíam as “Reflexões sobre as novidades do mês” e a resenha de alguns livros com as observações pessoais de Hipólito. Foram nas páginas do Correio que, de forma organizada e consistente, apareceram seus projeto e planos para o Brasil. Por isso, tanto para a História da impressa como para a Historiografia em geral, essa é uma obra tão relevante.

A maior parte do jornal era dedicada a publicação de documentos sobres os acontecimentos mundiais, além de notícias que ele recolhia nas outras gazetas mundiais. Era o noticiário mais atualizado possível. Foi através do Correio que os brasileiros acompanharam a trajetória de Napoleão e sua derrota e a Independência das colônias espanholas na América. Suas fontes eram variadas e, as vezes, bem próximas do fato narrado: no caso das colônias americanas é bem provável que as informações fossem relatadas pelos próprios libertadores - Miranda, Bolívar, San Martin e O`Higgins - os quais se tornaram amigos de Hipólito através da maçonaria.
Mesmo cobrindo fatos internacionais, era no Brasil que estava seu interesse. Isabel Lustosa diz que o Correio Braziliense surge para informar os brasileiros do que se passava no mundo, para influir em seu espírito e direcioná-los para as idéias liberais e para chamar a atenção aos prejuízos do absolutismo ou qualquer forma de despotismo que Hipólito escrevia1. Comentava e criticava as autoridades portuguesas e seus erros administrativos, defendia substituição gradativa do trabalho escravo pelo livre (achava que a melhor forma para isso era a imigração de europeus pobres para o Brasil, mas com melhores leis - claras e eficazes - e uma menor interferência do Estado sobre as ações da sociedade). Era contra os monopólios que impediam o desenvolvimento do comércio e da indústria e a favor de uma maior transparência nas contas públicas. Apesar da postura, não era um democrata; queria reformas, sim, mas realizadas pelo governo e não pelo povo. Acreditava, como viu na Inglaterra, que a monarquia institucional era a melhor forma de governar.

Com a vinda da corte e a maior circulação de idéias, quase todas paralelas a ascensão da burguesia, as conversas políticas em relação à monarquia aumentavam. As contestações começavam a surgir e o Correio Braziliense ajudava nessa divulgação. Entre os padres do baixo clero, as idéias dos escritores europeus encontravam repercussão, tanto que um determinado bispo afirmava: “ a Revolução Republicana não é contrária ao evangelho, visto que o povo não faz parte do acordo bilateral entre metrópole e colônia”. As sociedades secretas e suas idéias se multiplicavam, apoiadas nos escritos que chegavam ao Brasil pelo Correio Braziliense.

Entre os historiadores, o Correio Braziliense causa polêmica no que diz respeito a sua validade e influência na mentalidade dos brasileiros. Ter sido ou não o primeiro periódico a circular no país, é outro motivo que causa controvérsias. Nelson Werneck Sodré, autor do livro História da Imprensa no Brasil2, defende a idéia de que “nada teve de extraordinário o aparecimento do Correio Braziliense, pois sua influência foi relativa na medida em que sua forma de fazer imprensa era inadequada dentro do contexto político-social que o Brasil se encontrava; era pouco lido (mais repassado de boca em boca). Quando surgem as condições adequadas para o aparecimento real da imprensa, o Correio perde sua razão de ser. A elite da qual ele fazia parte aceita a independência como solução. Por este motivo, quando se concretiza a independência o jornal deixa de circular.”

Werneck relata as duas linhas historiográficas que existem sobre o Correio: os que defendem, dizem que “apesar de não ser produzido no Brasil foi o único que conseguiu apontar falhas na administração do país” - Oliveira Lima, estudioso do período joanino. Os que contestam dizem que “ele tratou a questão dos escravos como sendo contrário a escravidão”, pondo-se contra as tendências democráticas. O que não se pode perder de vista é que Hipólito pertencente a elite e, portanto, seu pesamento se posiciona nas ações que favorecem sua condição econômica.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Correio Braziliense na imprensa do Brasil - parte III

Parte III - Formação de Hipólito da Costa

Hipólito José da Costa Mendonça Furtado, nasceu em 1764 na colônia do Sacramento, em Cisplatina. Cresceu em Pelotas, no Rio Grande do
Sul. Era de filho de uma família aristocrata e como era o costume, partiu rumo à Coimbra, para estudar. Formou-se em 1794 com 30 anos, idade
com que (também) ingressou na corte para trabalhar.

Em 1798, foi para os EUA em missão especial do governo português para colher sementes e espionar os avanços tecnológicos. Morou lá por
dois anos e conviveu em uma sociedade organizada, com universidades e um processo eleitoral “adiantado” - diferente de tudo o que conhecia.
Da América trouxe a vontade de implantar o progresso e afeição pela liberdade. Foi também nos EUA que teve seu primeiro contato com a
maçonaria – acontecimento que mudaria sua vida – cujos ritos pressupunham várias práticas, incluindo a liberdade religiosa, o que em Portugal
era proibido.Volta a Lisboa em 1800 como funcionário da Imprensa Régia: era responsável pela publicação de livros de técnica e economia.
Paralelo ao seu trabalho, se envolvia mais ainda com a maçonaria portuguesa. Uma viagem oficial a Londres, em 1802, o põe em contato com a
maçonaria inglesa (até então a mais forte do mundo) da qual eram membros os filhos do rei Jorge III e de um deles – o Conde de Sussex
(Augusto Frederico) Hipólito se tornou grande amigo.

Foi por conta dos novos contatos feitos em Londres, que logo depois de sua chegada a Portugal, é preso pelo Santo Ofício. Só consegue sua
liberdade cinco anos mais tarde, quando por interversão do Conde de Sussex, foge da prisão. Impossibilitado de permanecer em Lisboa, volta
à Londres e sobrevive com a ajuda de amigos, além de trabalhar como tradutor e professor de português.

Com a chegada da Família Real no Brasil (escapando da perseguição napoleônica aos reis) Hipólito vê a oportunidade de sua pátria conhecer
o progresso e o desenvolvimento. Desejoso de participar dessas mudanças, viu que a “criação” da palavra impressa e livre de censura, tal como
vira nos países que conhecera, seria a melhor forma de contribuir para a formação do Brasil. Observou que na Inglaterra a monarquia
constitucional era um fato; onde o Parlamento realmente limitava o poder do rei; onde a imprensa era livre. Por sua amizade com o Conde de
Sussex, sentiu-se à vontade para criticar a administração portuguesa como nenhum outro português ousaria fazer.
Foram essas possibilidades que o motivaram a publicar em Londres no dia 1º de Junho de 1808 o Correio Braziliense.

Correio Braziliense e a imprensa no Brasil - parte II

Parte II - A imprensa no contexto brasileiro

O Brasil não tinha universidade e era um dos únicos no mundo, exceto a África e a Ásia, que não produzia a palavra impressa. As poucas
tentativas esbarraram na intransigência das autoridades portuguesas.

A base econômica, o escravismo, dispensava investimentos na cultura. Antes de 1808 houveram duas tentativas de se implantar tipografias,
mas foram abafadas pela corte que temia a propagação de idéias contrárias ao regime. Isso porque neste período as idéias liberalistas
infestavam vários países como EUA e França e sendo a base política de Portugal a monarquia, não convinham facilitar a circulação de tais
idéias, uma vez que estas entravam diretamente em choque com a legitimidade dos reis. A ignorância era necessária ao colonizador.

As mudanças vieram com a chegada da Família Real que promoveu a abertura dos portos, desabrochando o comércio, entre outros benefícios.
A presença francesa no território português obrigou a criação no Brasil de fábricas de ferro, pólvora e vidro. Havia também a necessidade de
divulgar os atos do governo e notícias interessantes à colônia, daí a implantação da imprensa logo após a chegada do rei. Será nesse contexto
de transição que o Correio Braziliense aparecerá.